Musical Rio Mais Brasil chega a Brasilia em curta temporada

Espetáculo - que tem como ponto de partida o livro ‘O Povo Brasileiro’, de Darcy Ribeiro - é estrelado por Cris Vianna, Leonardo Vieira, Danilo de Moura, Danilo Mesquita e mais 16 atores multi-instrumentistas.

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Idealizado por Gustavo Nunes, com direção de Ulysses Cruz e autoria de Renata Mizrahi, Rio mais Brasilo Nosso Musical, chega a Brasília para curta temporada, nos dias 28 e 29 de outubro, no Teatro UNIP (913 Sul). Serão três apresentações (sábado, às 17h e 21h e domingo, às 19h), que vão mostrar ao público um país rico em musicalidade e contrastes. O povo brasileiro é o protagonista, com sua pluralidade, complexidade e sincretismo, livre de estereótipos. Uma gente que enverga, mas não quebra. A Turbilhão de Ideias Entretenimento, responsável por Cássia Eller, o Musical, assina a produção.

Foto: Leo Aversa

Com direção musical de Carlos Bauzys e Daniel Rocha, tem direção de arte cenografia de Veronica Valle e figurino de Carol Lobato. No elenco, Cris Vianna (Dança dos Famosos, 2017, do Domingão do Faustão e novela A Regra do Jogo, TV Globo), Leonardo Vieira (Os Dez Mandamentos, 2016, TV Record), Danilo de Moura (protagonizou o musical Tim Maia, Vale Tudo – O Musical, 2016), Danilo Mesquita (Rock Story, 2016, TV Globo) e mais 16 atores multi-instrumentistas, selecionados entre 500 candidatos de todas as regiões do país.

Foto: Leo Aversa

O Rio de Janeiro, como um epicentro cultural do País, foi a inspiração e o ponto de partida de Gustavo Nunes, em 2014, três anos antes da estreia para o público. O projeto foi adiado por falta de patrocínio, mas a adversidade se transformou numa aliada: o tempo de espera foi importante para o produtor amadurecer a temática e realizar um trabalho robusto que abrangesse a cidade não apenas como um ícone, mas como síntese do Brasil. Para a condução do musical, convidou o Ulysses Cruz que, de acordo com Nunes, reuniu todos os requisitos para dirigir a produção: experiência, bom gosto e ousadia. Com o patrocínio máster da Ourocap, a primeira temporada do musical aconteceu em julho de 2017, no Rio.

“Rio Mais Brasil, o Nosso Musical” teve como base o livro O Povo Brasileiro, que o antropólogo Darcy Ribeiro lançou em 1995. “O resultado é uma obra com um olhar focado na musicalidade do país, revelando também as origens e a formação de nossa identidade”, diz Gustavo Nunes. “Eu atormentei a Renata Mizahi (autora) porque queria um Rio diferente de tudo que já havia sido feito. O desejo era a representação da primeira arquibancada da Sapucaí, dos bailes do subúrbio onde tocam charm – e que reúnem pessoas de todos os cantos do país – dos pontos de ônibus lotados com vendedores ambulantes ao redor. Costuramos esse imaginário, que não se limita à zona Sul, com o livro do Darcy”, explica o diretor.

Foto: Leo Aversa

Para Gustavo Nunes, à frente da produtora Turbilhão de Ideias Entretenimento, especializada no segmento, falar sobre a realidade brasileira conjugando alegria e reflexão norteou todo o processo de Rio Mais Brasil. “Queremos, por meio da arte, repensar o Brasil”. Ulysses Cruz reforça: “tratamos sobre questões atuais de maneira crítica, sob a perspectiva da esperança. A cultura brasileira mexe com o espectador porque o ajuda a compreender seu valor. Fazemos uma espécie de chamamento para quem assiste se envolver com a arte”.

Foto: Leo Aversa

Com uma narrativa não-linear, o espetáculo se passa nos bastidores da realização de um longa-metragem, livremente inspirado em O Povo Brasileiro. É a história de um produtor e de uma diretora de cinema na tentativa de realizar um filme documental. No meio da empreitada, porém, os realizadores se veem no dilema de desistir ou persistir. O processo de criação que mostra o diálogo entre realidade e ficção que, em comum, têm a capacidade de driblar obstáculos.

Martin (Leonardo Vieira) capta uma verba para realizar uma superprodução, disposta a mostrar ao público um Brasil diferente do que já se viu. Ele acaba se encontrando com Cris (Cris Vianna), uma diretora em sintonia com suas ideias. Ao longo do projeto – desde a escolha do elenco até as filmagens – a verba oferecida começa a ser reduzida, até que o investimento oferecido é cancelado, colocando os planos de Martin em risco. Em meio a questionamentos e buscas por soluções, um novo fato aparece e reacende as esperanças de concluir a obra, mudando o rumo da trama.

Kadu (Danilo Mesquita) é o assistente de Martin. Ele é fascinado pela cultura norte-americana, mas no processo de seleção de elenco do filme acaba revendo conceitos. “Foi a minha primeira experiência como em musical e um grande desafio. Meu personagem ama a arte e tem a oportunidade de conhecer o Brasil quando acompanha o teste do elenco, ele vê de perto a cultura e a essência do país e se apaixona pelo país”.

São Paulo é representada pelo versátil Ricardo (Danilo de Moura), um pai solteiro, que é ator e cozinheiro. Ele chega ao Rio para tentar sorte e vira um dos roteiristas do filme. “É um trabalho que tem muita força, e olha que eu vim de Tim Maia, que era uma figura monumental. O espetáculo exigiu muito estudo para falar sobre a diversidade do Brasil e que reflete um momento único do teatro musical no país: temos os biográficos, os clássicos revisitados, os que partem de roteiros originais. Um público grande e interessado vem se formando e lotando os espaços”, diz o ator que toca baixo em Rio mais Brasil.

Completam o elenco: Bárbara Sut, Camila Matoso, Leandro Melo, Clayson Charles, Nando Motta, Paulo Ney, André Muato, Késia Estácio, Marcel Octávio, Edmundo Vitor, Teka Balluthy, Luciana Balby, Anna Bello, Janaína Moreno, Fernando Thomaz e Priscilla Azevedo.

Rio Mais Brasil tem canções com letras assinadas por Renata Mizrahi, releituras de músicas consagradas e canções representativas das cinco regiões brasileiras. O repertório passa por Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Luiz Gonzaga, Rita Lee, Gonzaguinha, Almir Sater, Gilberto Gil, Ary Barroso, Cazuza, Tom Zé, Aldir Blanc, Arlindo Cruz, Waldemar Henrique, Kleiton e Kledir, Dani Black, Dona Onete e A Banda mais bonita da Cidade, entre outros, que ressurgem em arranjos originais de Carlos Bauzys e Daniel Rocha.

Pesquisamos uma centena de canções a partir do roteiro. Foi um desafio chegar a este repertório. Cada Estado tem ritmos muito próprios e na música popular brasileira a miscigenação é uma característica muito presente, mesmo que não seja intencional, ela acontece”, comenta Bauzys. Neste Brasil que mistura rock com maracatu, forró com hardcore e samba com soul music a reinvenção é uma constante. O espetáculo se faz valer desses encontros misturando a tradicional chula gaúcha com o pop oitentista de Kleiton e Kledir no hit “Deu Pra Ti”.

Um dos exemplos da busca constante pela originalidade é a canção “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, que ressurge completamente renovada, não só pelo arranjo inédito, mas pelo rap escrito por Bauzys, incorporado à letra. “Na hora que a música fala, ‘Terra de Nosso senhor, ali já entra um rap que diz, entre outras coisas: Terra de Nosso Senhor, de Oxalá, de Iemanjá, de Jesus’. Exaltamos o sincretismo no Brasil, que é algo tão lindo no nosso país, essa pátria de todos”, revela.

SERVIÇO:
Rio mais Brasilo Nosso Musical,
Dias 28 e 29 de outubro 2017
Teatro UNIP (913 Sul).
Sábado, às 17h e 21h
domingo, às 19h
Classificação indicativa: Livre
Ingressos a partir de R$ 25,00
Plateia 1- R$ 100,00 (inteira) e R$50,00 (meia-entrada)
Plateia 2- R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada)

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