La La Land canta o vazio de um sonho

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Por Julio Cardia, direto de New York City
Com atuações, figurino, trilha sonora e direção impecáveis, o hipnotizador La La Land arrebatou 7 indicações ao Globo de Ouro mas quem se aprofunda na discussão que o filme provoca – e este também é um ponto positivo da produção – pode se perder no abandono que o filme retrata. Quanto vale um sonho? De onde vem esse sonho? Vale mais a pena sonhar junto?
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Muitas vezes nossa dificuldade de lidar com uma situação faz com que a gente fuja dela e essa é uma constante em LA, personagens que fogem do futuro que eles sonham em ter, sonhos que fogem dos personagens egoístas o suficiente para se abandonarem no meio do caminho.
O filme abraça profundamente a cultura americana do “Eucentrismo” de um egoísmo sem igual e que passa despercebido até pela imprensa internacional, que oferece o Globo de Ouro, e que teimam em não ver o quanto eles estão enraizados nesse modo de viver e ser que parece ser um retrato fiel dos Estados Unidos onde só se pode ser feliz sozinho.
Talvez esse seja o filme ou o modelo ideal para uma cultura que se vê no centro no mundo e que até certo ponto dita o centro do mundo mas eu fico imaginando se cada um dos 7 bilhões de habitantes do nosso planeta tivesse a mesma visão. Se abandonássemos, e, aliás, se abandonarmos o senso de comunidade aonde vamos chegar? Tenho uma impressão que não conseguiremos chegar até LA.

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