Julio Cardia conta como foi a 1ª edição da Caixa Brasília Outdoor Adventure

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A primeira coisa que não se imagina quando se topa o desafio de remar 5km, correr (des)orientados no cerrado por mais 5 km e enfim se encontrar durante 20 km de mountain bike é que tudo isso significam 6 horas de muito, muito, muito esforço físico e mental e mais muitas outras hora de preparação. Não apenas preparação física mas de uma preparação de materiais e equipamentos para sobreviver à prova.

 

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Sim, sobreviver à prova. O meu percurso foi o aventura, o mais leve com “apenas” 30 km no total. E enquanto já edito imagens e começo esse texto tem ainda cerca de 40 pessoas de 12 equipes embrenhadas no cerrado lutando para completar o percurso de 150 km. #BravaGenteBrasileira

 

Também pensei que não fosse tão sério mas comecei a me preocupar quando no local de largada já ouvi um “o fulano caiu, quebrou o dente, está desacordado e precisa de auxílio médico”. Será esse também meu futuro? Dormi pouco na noite anterior. Acordei as 6 da manhã para me organizar e ter minha bike no ponto de transição antes das oito horas do sábado da prova.

 

Meu preparo físico estava garantido pelo anos de prática de ciclismo, de corrida, pelas aulas de boxe, pelo futvolêi e pela malhação diária. Logo, completar a prova não seria um problema. Ou seria? Por mais que meu corpo estivesse preparado minha mente não estava. No início foi bem difícil conter os pensamentos de “não vou dar conta”.

 

Começamos atravessando uma parte do lago com água na cintura, até chegar em uma ilha para pegar os caiaques e daí sim desbravar o Lago Paranoá da Capital Federal.

 

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No sprint inicial ouvi um grito de “Caiu a câmera ae” logo tive a certeza que era a minha até porque que outra pessoa teria a ânsia jornalística de registrar tudo, ou quase tudo que se via? Voltei correndo e alguém já vinha com a câmera na mão. Era a primeira ajuda de muitas que receberia naquele dia.

 

O vento estava pra lá de forte e fazia intermináveis ondas que teimavam em girar meu caiaque o que dificultava ainda mais a primeira etapa, eu estava ali no bolo do primeiro pelotão mas já ficava pra trás quando me lembrei de que estava lá para aproveitar, para viver a prova. De certa forma eu estava lá para testar meus limites e logo me dei conta que o maior competidor contra mim seria eu mesmo.

 

A primeira transição era em outra ilha, de lá descemos do caiaque, corremos para o primeiro ponto de checagem, eles pegam o seu número. Disso a gente corre de novo pega o mapa de orientação entra na trilha e segue natureza a dentro para encontrar mais e mais pontos de checagem que ficam perdidos em diversos locais em uma área de mais de 60 km quadrados. Sobe morro, desce morro, entra na mata, encontra gente indo, gente vindo, gente perdida, gente achada. Parece bastante o dia a dia da vida.

 

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É uma prova de resistência. De desafio após desafio, de onda após onda. Aonde se encontram você, o universo e Deus, para aqueles que Nele acreditam. Todos ali, em algum lugar desse mundo, tentando encontrar um percurso que faça algum sentido, fazendo check in e comemorando no momentos mais bacanas e tentando não desanimar quando se está extremamente cansado e se percebe completamente perdido. Aliás, não completamente. Cadê a bússola? Cade a memória dos dois cursos de orientação que participei? Cadê a coragem? Não dá pra encontrar tudo de uma vez só mas uma coisa puxa a outra.

 

A exaustão bate. Chego no ponto de transferência para pegar a bike. O relógio marca 12h28min, ou seja, eu já estou há mais de 3 horas correndo e remando em uma umidade relativa de 15% e 30 graus celsius de sol a pino. Vou desistir? Vou não! É só sentar na bicicleta e tudo muda. Aliás toda hora que a prova muda, muda tudo. Algumas coisas ficam mais fáceis outras mais difíceis mas com certeza eu não conhecia a Brasilia que estava a se abrir pra mim.

 

O visual é de tirar o fôlego, bem maior do que o esforço de pedalar uma subida de 3 km de estrada de chão até o alto da torre digital. Você passa um, é passado por outro mais no final quase todo mundo para pra se ajudar. Se incentiva. Sorriem uns para os outros. Afinal de contas está todo mundo ali tentando vencer a sua própria jornada pessoal e nada mais.

 

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Após exatamente 6 horas, 16 pontos de checagem e muitos novos amigos cruzo a linha de chegada já pensando em como me preparar para o evento de 2017. A adrenalina vicia mas o encontro de si mesmo ao se perder pelas trilhas do mundo é com certeza é o que me faz querer voltar.

 

Muito obrigado Brasília Outdoor Adventure por me possibilitar esse encontro com o cerrado. Sou nascido e criado em Brasília mas nunca tive a oportunidade de estar tão perto com o meio ambiente que nos cerca. Essa jornada não foi fácil mas com certeza eu vou leva-lá para o resto da minha vida.

 

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