Exposição Yutaka Toyota - o ritmo do tempo chega ao Museu Nacional em Brasília

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Depois de experimentar grande sucesso de público no Rio de Janeiro e de ser considerada a melhor retrospectiva de 2018 em São Paulo, pela APCA, chegou a vez de Brasília receber a exposição “YUTAKA TOYOTA – O Ritmo do Espaço”, e que reúne cerca de 80 peças de um dos maiores representantes do movimento cinético internacional. Ocupando 1.500 metros quadrados do Museu Nacional da República, a mostra que tem patrocínio da Rede D’Or São Luís acontece entre os dias 02 de abril e 26 de maio.

A curadoria de Denise Mattar propõe um recorte da produção do artista com trabalhos a partir dos anos 1960 até os dias de hoje, onde um dos grandes destaques é uma recriação da instalação imersiva Quarto Escuro, da X Bienal Internacional de São Paulo. O público poderá conferir ainda nessa exposição; uma cronologia ilustrada e vasta documentação, painéis de obras públicas de sua autoria realizadas entre os anos 1980 e 2010 no Brasil e no Japão; além de esculturas recentes. Chama atenção o conjunto de 35 imagens históricas realizadas pelo grande fotógrafo Alair Gomes, que retrata parte da produção desse incrível artista nipo-brasileiro que está em atividade até os dias de hoje.

Apresentada anteriormente no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) e no Museu de Arte Brasileira (MAB FAAP), a exposição experimentou grande sucesso de público e surpreendeu a crítica, chegando à Capital Federal depois de ganhar o premio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor retrospectiva do ano de 2018. Entre os diversos trabalhos que compõe a mostra, estão obras pertencentes a acervos de instituições como Museu de Arte Brasileira da FAAP e Itamarati, e ainda de importantes coleções particulares.

O critério curatorial adotado por Denise Mattar para “YUTAKA TOYOTA – O Ritmo do Espaço” toma como partido a coerência interna da obra de Toyota, sua originalidade e pioneirismo, fazendo conviver trabalhos de diversas épocas ao lado de seu trabalho atual, que continua surpreendentemente intenso. A mostra não foi estruturada cronologicamente, mas organizada de modo a agrupar os trabalhos em torno de algumas questões que permeiam seis décadas de produção constante como: a vibração ótica, a surpresa da cor, o hieratismo do círculo, a vertigem do espelho, as fendas do universo e o ritmo do espaço.

Privilegiando a produção escultórica de Toyota, a curadoria estabeleceu o percurso e as principais questões que permeiam a obra do artista, apontando o processo que o levou da pintura ao objeto e do plano à superfície reflexiva – instaurada como quarta dimensão. “Ele faz parte de um grupo que, na década de 1960, decretou o fim da pintura de cavalete e da escultura figurativa, convidando o público a participar de novas experiências estéticas, interativas e sensoriais”, explica Mattar. “Sua obra convoca dualidades: positivo-negativo, visível-invisível, sólido-evanescente, volume-leveza. As múltiplas possibilidades do reflexo são a matéria prima da qual Toyota se utiliza para ‘compreender o significado do espaço’, e, nessa opção podemos apontar um expressivo parentesco da obra de Toyota com a de Anish Kapoor, não por acaso, também um oriental-ocidental”, compara a curadora.

Em uma mostra que reúne tantos trabalhos icônicos de Toyota, vale pinçar entre os mais surpreendentes, um de 1969, ano em que o artista se apresentou na X Bienal de São Paulo – uma das mais comentadas e premiadas participações da mostra. Na ocasião ele criou um conjunto de obras que convocava o espectador à interação e uma instalação que hoje seria classificada como imersiva. Os trabalhos despertaram a atenção do público e da crítica e refletiam a permanência de Toyota por três anos na Itália, período no qual participou de algumas das mais emblemáticas exposições dos cinéticos, ao lado de Lucio Fontana, Bruno Munari, Vasarely e Le Parc.

Outro destaque de “YUTAKA TOYOTA – O Ritmo do Espaço” é o conjunto de 35 imagens realizado por Alair Gomes sobre a obra de Toyota. Reconhecido atualmente pelos nus masculinos, Alair fez um ensaio fotográfico surpreendente para a exposição individual de Toyota na famosa galeria carioca Grupo B, de Rubem Breitman, na década de 1970. De acordo com o jornalista e editor Leonel Kaz, tanto o fotógrafo quanto o artista nunca estiveram atrelados às exigências do mercado de arte da época. “Como hoje, com suas auroras avermelhadas ou suas ripas de parede turbulentas-ao-olhar, Toyota aparentemente conseguiu viver à margem do tempo – e dos desejos que o tempo impõe, impondo um rigor na produção de suas peças, um certo tempo interior, meditativo e operário, tão ao gosto oriental”, analisa Kaz.

Reconhecido dentro e fora do país, Yutaka Toyota também experimenta grande prestígio entre os amantes das artes plásticas em Brasília, onde já realizou várias exposições individuais e participou de coletivas. Sua estreia na Capital Federal foi em 1973, na antiga Galeria Mainline. Nessa década e na seguinte, além da Mainline, também expôs na Galeria Oscar Seraphico e na Almarte Galeria. Em 1998, participou da exposição Japão Brasil, 90 Anos de Imigração, que teve curadoria de Mário Zavagli, enquanto que, em 2008, é um dos artistas que participam de Nippon – 100 anos de Integração Brasil-Japão, no Centro Cultural Banco do Brasil, com curadoria de Denise Mattar, um evento em comemoração ao Centenário da Imigração Japonesa ao Brasil.

Várias residências particulares da cidade, assim como o Clube do Exército e o Aeroporto possuem obras do artista. O Palácio do Itamaraty, por exemplo, é dono de “Positiva e Negativa”, um trabalho da X Bienal, composto por uma esfera de plexiglass, listrada em preto e branco, sobre uma chapa de alumínio côncava, obra que o público brasiliense poderá conferir gratuitamente em “YUTAKA TOYOTA – O Ritmo do Espaço” no Museu Nacional da República, entre os dias 03 de abril e 26 de maio, e que tem patrocínio da Rede D’Or São Luís.

Yutaka Toyota
Nascido no Japão em 1931, Toyota chegou ao Brasil no final da década de 1950 e naturalizou-se brasileiro em 1971. Começou sua carreira por aqui como pintor logo recebendo alguns dos mais importantes prêmios do circuito de arte brasileiro, como o do Salão Esso, em 1965, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, que o levou à Itália. A partir daí voltou-se para a escultura e suas obras adquiriram características óticas, cinéticas e imersivas – partido adotado até hoje.

Trabalhando há mais de sessenta anos, o artista criou milhares de obras entre desenhos, gravuras, pinturas, instalações, painéis escultóricos e esculturas de todos os tamanhos, desde pequenos múltiplos a imensos monumentos, “mas sempre fui fiel às mesmas indagações que me fizeram mergulhar no universo das artes, ainda no Japão”, conta Toyota. “Aos 15 anos recebi, em Yamagata, o primeiro prêmio de pintura no Salão de jovens artistas. Na ocasião o critico japonês Atsuo Imaizumi me disse: ‘mantenha sempre as mesmas ideias e perguntas interiores assim encontrará sua verdadeira arte e produzirá obras verdadeiramente suas, obras originais’, e foi o que fiz”, relembra. Com verdadeiro interesse na conexão entre o Homem e o Universo, Yutaka Toyata destaca ainda que “a cultura ocidental responde a essa questão através da física quântica e a oriental através da espiritualidade. Aceito os dois significados e ambos estão no meu trabalho”.

Aos 87 anos, Toyota continua em pleno vigor criativo, sendo um dos raros escultores brasileiros a dominar a relação escala-espaço; habilidade essencial para a criação de obras ao ar livre. Não por acaso, ao longo dos anos, ele semeou mais de cem obras públicas entre o Brasil e o Japão, feito inédito entre os nossos escultores.

Serviço:
YUTAKA TOYOTA – O Ritmo do Espaço
Local: Museu Nacional da República
Período expositivo: 02 de abril a 26 de maio de 2018
Endereço: Setor Cultural Sul, Lote 02, Esplanada dos Ministérios, Brasília/DF / Telefone: 3325-5220
Visitação: terça a domingo das 9h00 às 18h30
Entrada: gratuita

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