Abertura da videointalação “Monólogos de gênero” no CCBB Brasília

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Intitulada “Monólogos de Gênero”, uma coprodução Brasil-Holanda, é o mais novo trabalho da artista Diana Blok, que chegou a Brasília, na última quinta-feira,01 de dezembro de 2016, na Galeria 4 do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília. A obra é uma vídeoinstalação criada em parceria com o pesquisador de mídias digitais Pawel Pokutycki e reúne seis atores e atrizes, brasileiros e holandeses, convidados por Diana, que interpretam textos escritos originalmente para personagens do sexo oposto.

 

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No elenco, brasileiros consagrados como Matheus Nachtergaele e Mateus Solano, além de Grace Passô, Dani Barros e os holandeses Abke Haring e Cas Enklaar. Juntos eles interpretam textos de William Shakespeare, Tom Lanoye, Anton Chekhov, Antonin Artaud, Martin Luther King Jr., Maria Cecília Nachtergaele, Tennessee Williams e Marilyn Monroe. A medida que o público entra no espaço – composto por seis telas de 2m de altura por 1,5m de largura – esses rostos conhecidos tomam forma e assumem identidades completamente diferentes daquelas às quais estávamos acostumados. Sentada numa cadeira, com a luz baixa, vestido e luvas de cetim, cabelo louro claro está Cinderela – interpretada por Mateus Solano. Mas não é aquela Cinderela que estamos acostumados desde a infância e que vem sendo retratada ao longo dos séculos. Nessa história não tem madrasta má e muito menos príncipe encantado. “Que cara é essa? É o sapato? Sim, está apertado. Sapatinho de cristal é sapatinho de vitrine. Todo mundo no bem bom e eu aqui. Chega, chega!”, esbraveja a Cinderela do século 21 em um dos seis vídeos que integram a obra.

 

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O projeto surgiu em 2014 como desdobramento da série fotográfica Adventures in Cross-Casting, apresentada em Brasília e no Rio de Janeiro. Desta vez, Diana mergulha no universo do audiovisual e nos apresenta uma obra que desestabiliza o público e os artistas acerca das certezas do que a sociedade contemporânea entende e aceita como gênero. “Queremos questionar os limites dos formatos e dos suportes para questionar, em primeiro plano, os limites impostos pelo levante conservador que vivemos atualmente e pelas posturas cada vez mais discriminatórias da sociedade diante de indivíduos que transitam por identidades de gênero fora do padrão heteronormativo”, afirma Diana.

 

Quem assina a dramaturgia é o jovem pesquisador e professor do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília, Glauber Coradesqui, formado pela mesma universidade e que vem se destacando nacionalmente pelos trabalhos que realiza. “ Compor a dramaturgia desse trabalho e dividir o processo criativo com esse time de atores foi muito instigante. As combinações das escolhas, aleatórias num primeiro momento, ganharam uma complexidade que deixou o discurso da obra ainda mais potente. Esses personagens se encontram, se escutam – e isto seria improvável em outro contexto”, explica Glauber. E completa: “Vivemos mundialmente uma espécie de revolução conservadora que tende a apagar as identidades divergentes dos padrões. Precisamos colocar na pauta, com urgência, a necessidade de assumir o outro a partir de sua diferença, ir ao encontro dele. Este trabalho dialoga com essa necessidade de maneira lúdica e sensível. É um exercício poético da diversidade”.

 

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Os MONÓLOGOS DE GÊNERO estrearam em setembro desse ano, no Rio de Janeiro, como parte da programação do TEMPO_FESTIVAL. A instalação, aberta ao público do Rio durante dois meses, obteve grande destaque na mídia e impactou de maneira surpreendente os visitantes. A produção do vídeos foi patrocinada pelo fundo holandês Performing Arts Fund NL – Dutch Cultural Manifestations Abroad.

 

SERVIÇO
Até 02 de janeiro de 2017 (exceto terças-feiras)
Centro Cultural Banco do Brasil – Galeria 4
(SCES Trecho 2, Lote 22)
9h às 21h. Gratuito.
Classificação indicativa: 12 anos.

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